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Editorial Welleo · 6 min de leitura · Vitamina D / dor muscular / sazonalidade
Há um tipo de dor que quase nunca tem nome. Dores musculares difusas, o corpo dorido sem ter treinado, pernas pesadas, dificuldade em levantar-se de uma cadeira baixa. É atribuída à idade, ao stress, a dormir mal ou à postura. E, em muitos casos, existe uma explicação mais simples, e que pode ser medida.
Uma tese de doutoramento da Universidade de Oviedo, conduzida pela Dra. Carmen Fernández Milia com doentes do Hospital de Cabueñes, em Gijón, pôs números a essa suspeita em 300 mulheres adultas.
PONTOS-CHAVE
- Num estudo com 300 mulheres dos 30 aos 80 anos da zona de Gijón, a vitamina D média desceu de 28,7 ng/ml no verão para 15,6 ng/ml no inverno. É uma descida de 45,6 % numa questão de meses.
- Apenas 3,6 % das mulheres analisadas no inverno tinham um nível ótimo, e quase uma em cada quatro estava abaixo de 10 ng/ml, o intervalo de défice mais grave.
- A dor muscular difusa, a fraqueza ao levantar-se de uma cadeira ou o cansaço ao subir escadas nem sempre se devem à idade ou a esforço excessivo. A vitamina D baixa afeta diretamente a fibra muscular.
- Na fase clínica do estudo, as mulheres com dor e vitamina D baixa que corrigiram os seus níveis durante seis meses, sob supervisão médica, melhoraram de forma significativa tanto na dor como na capacidade funcional.
- Isto não faz da vitamina D um analgésico. Significa que, antes de assumir de onde vem a dor, vale a pena conhecer o seu número.
O inverno não é um pormenor: leva quase metade da sua vitamina D
A maior parte da sua vitamina D não vem da alimentação. É a sua própria pele que a produz quando recebe a luz do sol, e é por isso que os níveis sobem e descem com as estações do ano.
No estudo, as mulheres analisadas durante o período com mais sol tinham em média 28,7 ng/ml. As analisadas durante o período com menos luz, 15,6 ng/ml. Uma descida de 45,6 %.
Mas o dado mais impressionante não é esse. É o do verão: mesmo na melhor altura do ano, apenas 16 % das mulheres atingiam o nível considerado ótimo, que começa nos 30 ng/ml. No inverno, esse valor desceu para 3,6 %. E quase uma em cada quatro (24,9 %) estava abaixo de 10 ng/ml.
Dito de outra forma: nesta população, ter a vitamina D baixa não é a exceção. É a norma. E o mês em que faz o teste muda muito aquilo que vai ver.
Porque é que o défice se nota primeiro no músculo
A vitamina D não é propriamente uma vitamina. Comporta-se como uma hormona, e o seu recetor está envolvido em mais de mil genes em todo o corpo, incluindo no tecido muscular.
Quando se mantém baixa durante muito tempo, o músculo perde seletivamente o tipo de fibra responsável pelos movimentos rápidos e com força. O quadro clínico é reconhecível: fraqueza, uma sensação de desgaste e uma dor musculoesquelética difusa que não se localiza num ponto concreto e que não aparece em nenhum exame de imagem.
É por isso que este tipo de dor fica tantas vezes sem explicação. Não há nada partido para ver. O que há é um défice bioquímico que só uma análise consegue detetar.
O alarme que o seu corpo dispara quando a vitamina D desce
O mesmo estudo mediu a hormona paratiroideia, a PTH, que mantém estável o cálcio no sangue.
No inverno, a PTH estava 21,1 % mais alta do que no verão (71,8 contra 59,3 pg/ml). Essa subida não é casual: quando a vitamina D não fornece cálcio suficiente, o corpo vai buscá-lo onde o tem armazenado, que é o osso.
É isso que transforma um número baixo num relatório de análises em algo com consequências reais ao longo do tempo.
O que aconteceu quando os níveis foram corrigidos
A fase final acompanhou 91 mulheres durante seis meses. Todas cumpriam duas condições: dor de pelo menos 4 em 10 e vitamina D abaixo de 20 ng/ml. Foram distribuídas aleatoriamente por três esquemas de tratamento médico diferentes.
Depois de normalizados os níveis de vitamina D, a melhoria foi estatisticamente significativa em duas frentes: menos dor na escala de 0 a 10 e melhor função muscular, medida pelo tempo que demoravam a levantar-se de uma cadeira e por um questionário de capacidade funcional.
Vale a pena lê-lo com a mesma honestidade com que o próprio estudo o faz. Foi realizado num único hospital, e os três esquemas comparados eram medicamentos sujeitos a receita médica, não suplementos alimentares. Também não houve grupo placebo. O que demonstra com solidez é uma associação entre corrigir o défice e sentir-se melhor, não que a vitamina D seja um tratamento para a dor.
O que este estudo não diz
Não diz que tomar vitamina D elimina a dor. Na União Europeia, nenhum suplemento alimentar pode sequer alegá-lo. O que está reconhecido é que a vitamina D contribui para a manutenção de ossos normais e para a manutenção da função muscular normal.
E, acima de tudo, não diz que deve tomar suplementos às cegas. O esquema que corrige um défice grave não é o mesmo que um de manutenção, e a única forma de saber qual se aplica ao seu caso é medir.
EM RESUMO
- Se tem dor muscular difusa sem causa aparente, a vitamina D é uma das primeiras coisas que vale a pena excluir, não a última.
- O mês importa. Um resultado de fevereiro e um de agosto não são comparáveis e, se só fez o teste no verão, pode nunca ter visto o seu valor mais baixo.
- Faça o teste antes de tomar suplementos. É isso que distingue uma dose que faz sentido de um palpite.
- Repita o teste alguns meses depois, para ver se os seus níveis responderam e se a dose continua a ser a adequada.
- Fale com o seu médico ou farmacêutico se o resultado vier baixo, sobretudo se também tiver dor ou fraqueza.
Se nunca mediu a vitamina D no inverno, provavelmente não conhece o seu nível real. O teste Welleo é feito na farmácia, a partir de uma amostra de sangue do dedo, e dá-lhe um ponto de partida concreto.
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REFERÊNCIAS
- Fernández Milia C. Niveles de vitamina D en mujeres adultas y su relación con el dolor músculo-esquelético. Tese de doutoramento. Universidade de Oviedo, Departamento de Morfologia e Biologia Celular / Hospital de Cabueñes, Gijón.
- Holick MF, et al. Evaluation, treatment, and prevention of vitamin D deficiency: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2011;96(7):1911-1930. DOI: 10.1210/jc.2011-0385
- Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Dietary reference values for vitamin D. EFSA Journal. 2016;14(10):e04547. DOI: 10.2903/j.efsa.2016.4547
- Comissão Europeia. Regulamento (UE) n.º 432/2012 que estabelece uma lista de alegações de saúde permitidas relativas a alimentos. Jornal Oficial da União Europeia. 2012;L 136:1-40.
